Lembro-me bem o início desta aventura.
Estava eu a cursar o último ano do ensino médio e você a fazer o cursinho
pré-vestibular. Chamaste a minha atenção de imediato, logo comecei a interrogar
colegas. Qual o curso que ele vai
prestar vestibular? Qual o seu nome? O que faz da vida? Tem namorada? Algumas foram respondidas, outras tiveram que ser
descobertas. Tem nome de deus, um dos deuses do Monte Olimpo. Aquele do amor.
Serei eu sua Psiquê? Só o tempo dirá e dentro esses desencontros,
talvez não a seja. Faltou-me coragem para olhar nos seus olhos. Na verdade,
faltou coragem até de respirar perto de você. Esses seus olhos castanhos
deixam-me zonza. Seu jeito manso de falar, andar e respirar enlouquece-me.
Esqueço-me do namorado, o que eu havia prometido casar. Mas, quem manda no
coração? Talvez meu relacionamento com ele tenha desandado a partir do instante
que pus o olho em você.
Lembro, também, de seus complementos às
aulas de história, quando o vestibular estava próximo as turmas de cursinho e
terceiro ano se juntavam, suas lembranças da inflação nos anos oitenta quando eu era criança, meu
pai me dava uns centavos, ia ao mercado e voltava com balinhas e caramelo,
depois, com o mesmo valor, voltava apenas com o caramelo. A sala divertia-se com estes comentários. Eu
suspirava lá no canto esquerdo, perto da porta, numa carteira onde podia
observar-te e assistir aula. Confesso que quando você estava em sala,
esquecia-me do professor e comentava com as amigas do quanto és fofo, sempre
ouvia você é doida, menina! Ele é
estranho. Coitadas! Eis que elas descobrem que você está a
fim de outra pessoa de nossa sala. Branquinha, cabelo castanho médio na altura
dos ombros, olhos castanhos e camisas de banda com um moletom por baixo. Ela é estranha. Pensava
e chegava à conclusão de que eu era a coitada. Passei um mês e meio assim.
Observando-te de longe, checando suas tatuagens. Uma chamava muito à atenção a
do troll face, talvez
por revelar muito de sua personalidade. A outra, bem, não conseguia as ver,
estavam cobertas por sua camisa. Para e olha pra mim. Para e deixa pra lá. Deixa
eu entrar em você por algum olhar.
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