domingo, 23 de dezembro de 2012

Antes do beijo.


Lembro-me bem o início desta aventura. Estava eu a cursar o último ano do ensino médio e você a fazer o cursinho pré-vestibular. Chamaste a minha atenção de imediato, logo comecei a interrogar colegas. Qual o curso que ele vai prestar vestibular? Qual o seu nome? O que faz da vida? Tem namorada? Algumas foram respondidas, outras tiveram que ser descobertas. Tem nome de deus, um dos deuses do Monte Olimpo. Aquele do amor. Serei eu sua Psiquê? Só o tempo dirá e dentro esses desencontros, talvez não a seja. Faltou-me coragem para olhar nos seus olhos. Na verdade, faltou coragem até de respirar perto de você. Esses seus olhos castanhos deixam-me zonza. Seu jeito manso de falar, andar e respirar enlouquece-me. Esqueço-me do namorado, o que eu havia prometido casar. Mas, quem manda no coração? Talvez meu relacionamento com ele tenha desandado a partir do instante que pus o olho em você.


Lembro, também, de seus complementos às aulas de história, quando o vestibular estava próximo as turmas de cursinho e terceiro ano se juntavam, suas lembranças da inflação nos anos oitenta quando eu era criança, meu pai me dava uns centavos, ia ao mercado e voltava com balinhas e caramelo, depois, com o mesmo valor, voltava apenas com o caramelo. A sala divertia-se com estes comentários. Eu suspirava lá no canto esquerdo, perto da porta, numa carteira onde podia observar-te e assistir aula. Confesso que quando você estava em sala, esquecia-me do professor e comentava com as amigas do quanto és fofo, sempre ouvia você é doida, menina! Ele é estranho. Coitadas! Eis que elas descobrem que você está a fim de outra pessoa de nossa sala. Branquinha, cabelo castanho médio na altura dos ombros, olhos castanhos e camisas de banda com um moletom por baixo. Ela é estranha. Pensava e chegava à conclusão de que eu era a coitada. Passei um mês e meio assim. Observando-te de longe, checando suas tatuagens. Uma chamava muito à atenção a do troll face, talvez por revelar muito de sua personalidade. A outra, bem, não conseguia as ver, estavam cobertas por sua camisa. Para e olha pra mim. Para e deixa pra lá. Deixa eu entrar em você por algum olhar

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